Mas você sabe que eu te amo letras

Mas uma noite eu chego tarde e você nem quer sorrir sai do meu lado, faz charminho, faz beicinho e vai dormir sei que você às vezes bola com essa minha profissão mas eu nasci pra te amar e pra cantar pra esse povão (2x) Sabe que eu te amo vem me dar o teu calor quer brigar pra que deixa de bobeira com esse papo de caô quer brigar pra que Mas depois do show eu volto e me entrego a você ... Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo Roberto Carlos . 115. Eu Te Darei o Céu Roberto Carlos . 116. ... Nunca Mas Te Dejaré Triste Amor Roberto Carlos . 189. ... Você Não Sabe o Que Vai Perder Roberto Carlos . 332. Voltei Ao Passado Roberto Carlos . 333. Wave (com Caetano Veloso) Roberto Carlos . 334. tono: A Você sabe que eu te amo A E Meu amor você sabe que eu te amo F#m D E cada vez que eu te vejo eu te quero ainda mais A E F#m D Naquele dia de verão ela passou na minha frente e roubou meu coração A E F#m D Não tem jeito, não tem jeito não ela gosta de outra cara e ferio meu corção A E F#m D Fazer o que se ela desse cara, mas eu estou aqui só para ama-la A E F#m D Ela só esta ... Acho que eu não sei não Eu não queria dizer Tô perdendo a razão Quando a gente se vê. Mas tudo é tão difícil Que eu não vejo a hora Disso terminar E virar só uma canção Na minha guitarra. Eu te amo você Já não dá prá esconder Essa paixão. Eu queria te ver Sentindo esse lance Tirando os pés do chão Típico romance. Mas tudo é tão difícil Que era mais fácil Tentarmos ... Eu Te Amo. Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir. Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir. Se nós, nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir Meu amor, você é minha vida Sua vida eu também sei que sou Cada vez mais juntos Quem procura por você Sabe onde estou. Olha, eu te amo tanto e você sabe Sou capaz de tudo se preciso Só pra ver brilhar a todo instante No seu rosto esse sorriso. Faço qualquer coisa nessa vida Pra ficar um pouco do seu lado Todo mundo diz que não existe mas voce sabe que eu te amo,so nao conssigo falar a laagrima rola ao lembrar que voce é meu heroi e eu nao consigo respirar ao dizer 2 palavras tao simples EU TE AMO. feliz dias dos pais..eu..t..desculpa pai,desculpa por nao ser uma boa filha,desculpa ..por nao conseguir dizer..desculpa por ser tao tarde assim.. tom: A Você sabe que eu te amo A E Meu amor você sabe que eu te amo F#m D E cada vez que eu te vejo eu te quero ainda mais A E F#m D Naquele dia de verão ela passou na minha frente e roubou meu coração A E F#m D Não tem jeito, não tem jeito não ela gosta de outra cara e ferio meu corção A E F#m D Fazer o que se ela desse cara, mas eu estou aqui só para ama-la A E F#m D Ela só esta ... Você sabe que eu te amo E abusa de mim Vive aprontando comigo E é sempre assim E volta pedindo desculpas E diz que me ama E sabe que é só me tocar Que me leva pra cama Hoje não quero nem te olhar Estou com ódio, com raiva e vou chorar Mas quem sabe amanhã Se você me abraçar Me fizer um carinho Pode até me beijar Mas hoje, não, eu não vou te querer Estou com raiva de você

Helo

2020.05.20 11:11 digoritty Helo

De novo eu fiz isso. Olhei para o meu lado e não quis ver o seu. Nem sei pelo o que “estamos” passando. Falo desse momento confuso meu e de não saber aproveitar. É difícil falar sobre essas questões momentâneas. Não quero me sentir um peso, em situação de pena. Não quero cobrar por atenção, isso não sou eu. Mas por que diabos sempre dou uma mancada? É o fato de sentir saudades, o não estar e não poder controlar sentimentos vagos? Tu falou isso, que poderia te ligar, podemos resolver falando um com o outro, mas me sinto péssima sempre que te ligo, algo que eu preciso resolver. Sabe quando a gente corre atrás da pessoa e ela caga por você? É assim, que me sinto. Não falo de você não se importar com o que falo, mas de eu me sentir como se o que estivesse falando fosse “nada.” Puxa, escrevendo desta maneira, me coloco muito em uma posição, diria de me rebaixar, faço isso comigo e nem percebo. Não sei lidar com a distância, nunca soube. Tem a ver com o abandono. Nunca soube lidar, mas já melhorei muito, não to 100%, porém aprendendo. Usar “métodos” como o telefone me deixam com um sentimento estranho. Como se estivesse pedindo “por favor, fala comigo,” como se estivesse implorando por sua atenção. Por mensagem sinto um vácuo a cada resposta sua de meia hora, duas, cinco ou no outro dia. Onde eu me encaixo nisso tudo? To lendo e escrevendo e parece que não me valorizo pela mulher incrível que eu sou. Não quero viver de migalhas e nem de cobranças. Não quero me sentir pouca coisa. Eu não me sinto isso, mas desse jeito me consta essa “cobrança.” Essa geração tá acabando comigo. Como que vocês criam laços e círculo de amizades com a ausência? Eu cresci de um outro jeito, to tentando lidar, sempre quis melhorar isso, trabalhar o meu equilíbrio emocional e ter a mente aberta sobre coisas novas. Eu juro, procurei ajuda nesses últimos meses, juro por Deus!! Depois de setembro/outubro corri atrás disso. Mas não consegui, primeiro veio o carnaval, as pessoas entraram de recessão e por último veio o covid, sem contar que perdi minha consulta para ele. To sem saber se tem alguma vitamina ou algo faltando no meu organismo. Não sei se são os meus hormônios, não paro de emagrecer. Deu algo nos meus exames kkk Também não quero justificar o meu corpo e mente por serem responsáveis desse meu humor constante. Sei que tu não aguenta mais os meus textos e nem manter uma conversar pelo celular. Sei que já não sou igual ao que eu costumava ser. Fiz isso comigo esses dias, refleti que não me encaixo em nenhum grupo, não me sinto pertencente à nada nessa terra. Mas a grande insatisfação é por ter que sentir e fingir que não sinto. Outro dia queria te mandar um bom dia, dizer que estava morrendo de saudades, mas desisti, e a cada minuto desisto de ser eu, de demonstrar sentimentos, me sinto vazia e me sinto desconfortável em não saber me posicionar mais sobre nós. Não quero isso, sabe? Ser fria. Me sinto desonesta comigo mesma. Não me sinto verdadeiramente eu quando tenho que ser seca, ou não te responder na mesma hora que tu me escreve. Que diabo de ser humano eu virei? Credo. Não quero mudar por causa de aparelhos tecnológicos. Quero mudar por mim. Não me importo com pessoas, mas com as quais eu divido algo. E isso não é falta de amor próprio. To me preocupando com que vida eu quero levar e com quem eu quero estar. Nesse momento, temo em não sentir mais nada pelas pessoas que amo, já não tenho pela humanidade. Kkk Essa pessoa não sou eu. Não me sinto e nem quero ser esse mundo caótico. To sendo muito infantil ao ter 30 anos? Por muito tempo pulei algumas dessas etapas de amadurecimento. Sempre te falei que não cresci em um ambiente de lar normal, por isso não sei o certo, muito menos justifica acreditar que posso agir dessa maneira. Você me disse que não pode segurar a minha mão, mas que está do meu lado. Não entendo isso. Em que ponto você está do meu lado? Se te mando um oi, tu me responde eu to ótimo e a conversa para. Será que tudo isso é saudade só minha? Porque eu to morrendo dela agora. Hahaha Olha, eu sei um pouco sobre as suas vontades, sei que você é bem mais racional que eu, por vários momentos tu sempre foi. To tentando não ser “aquele tipo” de pessoa que tu odeia e que eu detesto! Não quero cobranças igual a ti, mas me sinto assim, com saudades de te ver. Será que fiquei para trás e não percebi ainda? O meu simancol é bem mais genérico do que parece. Ele vária entre paranóias e “o que será que ele quis dizer?” Até agora to sem entender sua mensagem, “não quero um amor...”, já não lembro da frase, mas você meio que deixou claro ali, por algum motivo que não consigo entender, que não queria um tipo de amor egoísta. Um tipo de obsessão em que um dos lados só enxerga o próprio rabo. Senti que estava sendo descartada pela sei lá que vez kkkk Mas me mandar isso por mensagem de celular e querer parecer o “bom” foi um golpe baixo. Minha paranoia diz que você me despacha quando tá tudo bem, na merda tu me procura, diferente das outras pessoas, tu nunca teve um não meu. Culpa minha! Admito que o amor me cegou. Mas não me arrependo. Fui toda euzinha, só não pude controlar sentir tudo isso na flor da pele. Foi mais intenso que os outros caras. Quase igual ao japa, até no aeroporto eu tive que ir para pensar. Vou lá para poder me enxergar de uma outra maneira. De que tudo isso pode ser um caso banal e complicado que eu mesma crio em defesa ao que realmente eu sou e consigo vencer sozinha.
Continuando, outro dia falamos sobre pessoas estarem tão bem que esquecem das outras. Tu disse que não esquecia. Mas até eu esqueço de mim kkk Esqueço de esquecer essas coisas vazias das quais eu luto “every single day.” Você ainda está aí? Sei que escrevi muito, me sinto bem quando escrevo. A forma que encontrei de sobreviver a este mundo, já que ninguém me ouve. Sei que sou complicadinha e segundo raimundos que erraram na letra, não sou perfeitinha!! Não sei o que você está passando se não me falar ou quiser me ouvir, por ter crise de “mulherzinha carente.” Sei que nem sempre tu quer me falar. Mas eu estou aqui. Sempre estive aqui por nós. Sou tola, né? Mas eu amo essa inocência, pureza, essa garota/mulher que habita em mim. Ahhh, ainda crio a maldita expectativa. Também não controlo isso, nunca controlei, tento desarmar esse erro que cresceu e faz parte de mim. De tudo que escrevi, só queria dizer que estou com saudade, Guiii. Tu nem precisa responder a isso tudo. Tá, vou morrer de tristeza, porque escrevi de madrugada e foi tudo tão verdadeiro. Tome o seu tempo, mas me liga!!! Mesmo quando você estiver “bem!” To com o outro chip tem semanas e nada de tu me ligar. Sei que você é mão de vaca ou tá de rolo e não tem tempo pra mim, mas me liga! Sinto a sua falta e já tentei cortar esse cordão umbilical há muito tempo. Disseram que o tempo cura tudo. To tentando me curar. Mas já tem uns sete meses. Sei que tu não quer e nem vai segurar a minha mão. Isso dói ouvir. Acho que não estou vendo o seu lado, porque você nunca me deixa ver. Por que sempre tenho os meus porquês? Quando foi que não deu certo? Eu sei de nós. Sei que a cada dia está mais longe. Ontem assisti um filme sobre isso. Achei incrível que nunca tinha visto esse lado em filmes infantis. Pessoas deixando as outras para fazerem a sua vida. O amadurecimento e a vida adulta. É disso que falava o filme. Não quero te comparar a ele. Mas tu me disse que não pode segurar a minha mão, mas está aqui por nós.
Nem sei mais o que escrever.
Tá tarde e ainda não dormi. Nem durmo mais. Ficou um pouco depressivo, mas foi um pouco de mim.
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2019.07.15 00:58 ederribeiro O curioso caso de você

Oi pessoal! Sou novo aqui no sub. Gosto muito de ler e às vezes escrevo alguma coisa. Comecei a escrever este texto em 2016 e ficou guardado desde então. O encontrei faz pouco tempo e resolvi mexer um pouco e publicar (https://medium.com/@ederrf/o-curioso-caso-de-voc%C3%AA-efbc470ced3d). Apesar de escrever por hobby (e muito raramente) quero evoluir e estou seguro que aprenderei muito por aqui!
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Você abre os olhos. Tudo dói muito. Olha ao redor, está deitado. Não reconhece o quarto nem a cama. Algo se move no canto do olho, há outra pessoa aqui. Com uma voz doce comenta como você dormiu pouco e te pergunta como se sente. Por não saber se a condição de dor é ou não a norma você sinaliza que está tudo bem. Você tem sede, mas não consegue expressar isso. Não há voz. Insiste ao máximo, um máximo que suspeita ser muito pouco. Mergulhado em sede, cansaço e frustração adormece novamente.

Você abre os olhos. Levanta da cama. É uma cama grande, feita para dois, mas ocupada só por um. Vai ao banheiro e lava o rosto. Caminhar demanda um esforço grande, mas você se lembra que era pior quando não conseguia nem sair da cama. Toma café e come uma torrada. Fica com a impressão que comer deveria ser mais prazeroso, talvez um dia seja. Se senta ao lado do telefone, há alguém com a qual lhe agrada conversar. A espera é grande, o telefone não toca, você adormece novamente.

Você abre os olhos. O sofá não é aquele que escolheram juntos, essa não é sua sala. Sai para a rua, há uma padaria próxima. O café é ruim, o que ela faz é melhor. Sente saudades de casa. Saudades do trabalho também. Sem nada para fazer, segue caminhando após o café. Para para descansar em uma praça. A perna dói um pouco. Deveria ver um médico sobre isso, mas não hoje. Tira uma garrafa de metal do paletó e vira um pouco da bebida na garganta. Se embriaga e dorme no banco da praça.

Você abre os olhos. A vê sentada na cama ao seu lado. Ela fita a janela, não há nada lá. A presença dela te incomoda, mas a ela você incomoda muito mais. Bebe um suco e come um biscoito como café da manhã. Tem saudades do café que ela já não te faz mais. Sai para trabalhar. A aposentadoria está próxima e você não vê a hora. O trabalho não te traz prazer algum e você também não traz benefício algum para a empresa, mas ainda assim sai tarde do trabalho. Chegar cedo em casa deixa mais tempo para discussões, é melhor ir ao bar. O plano é só chegar em casa depois que ela estiver dormindo. Você chegará e dormirá também. Dormirá em sua cama e não naquele sofá desconhecido.

Você abre os olhos. Vira na cama e espera ela acordar. Um “bom dia”, um beijo e um “eu te amo”. É assim que você faz com que o dia dela comece. Brigas acontecem, mas não é assim com todo casal? Começar bem o dia é o que importa. Nada pode nos separar. Depois do café é hora de ir para o trabalho. Reuniões. Relatórios. Conferências. E-mails. Fim do dia, hora de voltar para casa. Sua filha te liga para avisar que melhorou da gripe e que o marido dela foi promovido. Você pensa no neto que ainda não tem, mas prefere não tocar novamente nesse assunto agora. Depois do delicioso jantar vem o sono. Hoje foi um bom dia.

Você abre os olhos. Dormiu pouco. Sua filha saiu para uma festa e só chegou tarde da madrugada. Não há como dormir sem saber que ela está de volta em casa e em segurança. Por mais que sua esposa não deixe de comentar que seu futuro genro é um rapaz responsável, ninguém protege melhor uma filha que um pai. Sua única filha é seu maior tesouro. É sua maior razão de viver. É um amor que quatro letras fazem pouco para representar. E era ela que estava com você no fim.

Você abre os olhos. Foi só um cochilo. Uma mulher não fica grávida sozinha, o pai, se presente, também está grávido. O tempo parece passar mais rápido agora. O casamento foi há pouco tempo e agora falta pouco para que a família se concretize. É menina, vocês já sabem. Às vezes, quando dorme, você sonha. Sonha com a escuridão. Uma escuridão constante e longa, calma e angustiante. A consciência do nada é o que há de pior para se encarar. Quando acorda desses sonhos em geral se lembra de algo que ouviu “o que vem antes do início não é diferente do que vem depois do fim”. Alguém te contou isso. Em um sonho ou fora de um.

Você abre os olhos. Está de ressaca. Fica feliz de perceber como tudo é melhor agora. Come o que quiser, bebe o quanto quiser, o corpo aguenta tudo. Nem sempre foi assim. Por outro lado os amigos de agora são o mais “para sempre” que jamais foram. Eles são hoje mais do que foram antes. Por que nos separamos tanto? Se precisasse de um sofá para dormir hoje teria dez à sua disposição e não apenas um. Carpe diem. O que importa é o agora. Hoje dormirá tarde, ou nem dormirá, a noite não acaba quando se tem amigos.

Você abre os olhos. Sempre acorda bem. Você acha justa a troca das responsabilidades do passado pela inconsequência do agora. Seus pais pegam no seu pé, mas você compreende. Sabe o que é ser um pai. O que é preocupar com um filho. As reflexões de antes são diferentes de agora. Hoje, pela última vez, você viu aquela que foi sua esposa. Você compreende que o tempo passa diferente, que sua ampulheta está mais para lá do que para cá, mas não sente medo.

Você abre os olhos. O mundo parece maior que antes. A cada dia ele cresce mais e você fica menor. Menor e mais leve. As emoções de agora são mais simples. Sua missão está cumprida, seu tempo está acabando e você está em paz com isso. Criança e velho num mesmo corpo. Cada volta do relógio traz a escuridão mais para perto. A concepção está próxima e depois dela você virará imaginação, sonho e desejo. E depois isso também acaba. Escuridão é o que restará, você será parte dela. Assim como é antes do início e será depois do fim.
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2019.06.04 03:23 lucius1309 FOGUEIRA (QUASE) APAGADA

Não me considero uma pessoa ruim. Já fui, mas hoje não me considero ruim. Vejo em mim um garoto ainda imaturo tendo que me forçar a amadurecer diante das situações que a vida me oferece.
Não há escolha.
Tudo o que faço é porque eu, a vida ou os dois me colocaram nessa situação. No meu tempo livre, ouço discos, bato textos e vejo seriados. Nada demais, nada fora do comum.
Talvez eu ainda sinta falta de quando eu fazia as coisas fora do comum.
Noitadas irresponsáveis, putas, bebedeiras, drogas, música alta, brigas em bares, roupas rasgadas, carteiras perdidas, celulares roubados, vômitos em sarjetas, roubos de garrafas de 51 que estavam em encruzilhadas, mendigar álcool de posto porque não tinha dinheiro pra beber, pontadas no fígado, problemas de visão turva, nariz sangrando todos os dias pelo excesso de cocaína, falta de responsabilidade com as pessoas que um dia me amaram, descrédito nos empregos, etc etc etc.
Tudo era muito pesado, mas eu conseguia lidar bem. Talvez eu sinta falta disso, por mais que eu lembre de todo o sofrimento. Sempre acreditei que o homem mais perto do buraco era o mais criativo, o mais real, o que mais tava apto pra construir uma bomba atômica ou descobrir a cura do câncer. Quanto mais desespero, melhor.
Isso não passa de um comportamento auto destrutivo que minha cabecinha doente gosta de alimentar. Alimenta noite e dia, praticamente todos os dias. Mas por enquanto tenho ficado calado, andado na sombra, chutando pedrinhas e guardando dinheiro, transando quando dá e fazendo churrascos regados a refrigerante com os dois únicos amigos que sobraram. Não posso falar que a vida está ruim, mas a sensação de vazio talvez ainda esteja presente de forma muito intensa.
Gosto de pegar o carro e correr acima da velocidade. Sei que não é o mais correto, sei que isso não se faz, mas é uma forma de adrenalina. Adrenalina que antes era em excesso, e agora beira o absurdo de nada. Eu deveria fazer um esporte radical, correr de moto num autódromo ou pular de paraquedas. Ou eu deveria dar um tiro na minha cabeça e acabar com tudo num momento de fraqueza.
Quem pode me dizer que eu estou errado?
Tenho dois sentimentos pelo ser humano, oscilam entre apatia e nojo, no geral é apatia, e dependendo da situação é nojo, muito raramente gosto de alguém, mais raramente ainda amo alguém. Não faço isso por mal, eu só não consigo sentir falta das pessoas quando elas se vão. A presença delas é na maior parte das vezes, indiferente. Vivo sozinho e não consigo chorar, faço comida quando chego do trabalho e levo a vida pacata e bem demais.
Ao menos acredito que bem demais. Uma "família" indiferente me fez uma pessoa indiferente. Bingo! Temos a resposta.
Se caísse uma bomba atômica e só restasse eu, eu ficaria muito bem.
Não tiro a razão do assassino em vários casos que vi.
Talvez o erro tenha sido ler muita coisa pessimista na adolescência, me isolar e começar a beber todos os dias em que acordava de ressaca. Ouvir música violenta e raspar a minha cabeça. Minha cara magra e chupada de tanto cheirar cocaína entregava que eu estava num caminho sem volta. Agora ganhei uns quilos, me olho no espelho e grandes merdas. O ser humano de antes permanece ali.
Ele não foi embora, ele só mudou.
E eu odeio mudanças. Tenho medo de mudanças. Quando criança, mudava demais de casa, consequentemente de escola, de amigos, de quarto, de mobílias e de situações sociais. Sempre odiei isso.
Tenho receio de mudar, mas infelizmente preciso.
Minhas explosões ainda ocorrem, só que geralmente eu, na condição de homem adulto que mora sozinho e paga suas contas, posso xingar as paredes de casa, mandar tudo se fuder e transparecer calma nas situações mais delicadas. Acreditem ou não, meu segredo para parecer o cara mais são da face da Terra, é ser completamente insano quando estou sozinho. É xingar tudo o que eu quiser xingar. Já imitei gatos miando, às vezes ainda imito, mas agora tô mandando o mundo tomar no cu.
E ninguém sabe disso.
Talvez nunca ninguém vá saber, e assim é infinitamente melhor.
A vida nunca vai estar boa o suficiente pra mim, por mais que ela beire a perfeição, porque é claro que o problema não está na vida ou nas pessoas, está em mim. E esse meu problema parece não solucionável em 99% das vezes que penso nele. Parece um resto de fogueira, quase apagada. Mas existe aquele 1%, uma brasa, uma fagulha, que insiste em se manter de pé, e que pode ser a solução.
De 100 futuros possíveis, somente em 1 deles a minha vida pode dar certo. (É, eu sei, peguei essa referência ridícula do filminho de herói. Que aliás, nem assisti.)
Me agarro em minhas incertezas e vejo brilho nos meus olhos uma vez por mês, e geralmente nesses dias eu procuro ser uma pessoa melhor, saio na rua e sorrio pras pessoas, peço licença, digo obrigado, desculpas, pode passar, entre outros comportamentos bem educados que mamãe me ensinou antes de se afundar inicialmente numa garrafa de vodka e posteriormente numa depressão. Não a julgo, eu também não aguentaria viver 20 anos com meu pai mandando ver e depois 10 anos comigo pegando pesado (ambos usando todas as drogas possíveis e imagináveis).
Ainda existe uma chance, eu sei disso. Enquanto houver vida há esperança. As porradas da vida te fazem mais forte. Os ensinamentos da vida são dolorosos, mas te amadurecem. Deus é fiel!
Abasteci o texto com cinco frases motivacionais pra que você tire a arma da boca e vá assistir uma série comendo doritos e tomando coca-cola. Espero que funcione pra você, leitor, porque pra mim não está funcionando. Mas o Tool ficou de lançar um disco novo dia 30 de agosto. Eu ainda não cansei de ouvir Pink Floyd. Quem vai alimentar os gatos que subitamente aparecem? A boa e velha máquina de aliviar sofrimentos ainda está em pleno funcionamento, e por isso, eu permaneço aqui. Enquanto houver teclas e textos, haverão dores pra serem aliviadas, e por isso permaneço aqui.
Sem viagra, sem aditivos. Sem cachaça. Tudo fruto da minha tão aclamada habilidade literária (rs), que literalmente já fez eu desistir de me matar.
Vamos lá.
Certa vez eu realmente estava decidido a morrer, eu tinha 22 anos e tava cheirando e bebendo pra caralho, não via fim naquilo, não havia dinheiro, amigos e nem namoradas, eu estava sozinho em casa e comprei uma corda forte para me enforcar. Pendurei a corda numa viga e fiquei olhando ela. Fui beber pra tomar coragem pra fazer a coisa e comecei a escrever, escrevi um conto de umas oito páginas falando justamente de um jovem bem sucedido que estava decidido a se matar (e conseguia). Fiz uma puta conexão do texto com as letras do Dark Side of the Moon (num viés altamente filosófico/sociológico) e gostei muito do que li. Olhei a corda na viga, a desamarrei e decidi que naquele dia eu não faria nada.
Todos têm seus motivos pra continuar respirando. Pois é, eu também tenho o meu. E você acabou de ler ele.
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2019.04.23 07:40 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - PRÓLOGO

Uma nota pré-texto, apenas para situar melhor o leitor: na primeira parte do prólogo, que começa em "Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar", o personagem em questão é o nosso protagonista, Saravåj. Já na segunda parte, que começa a partir de "Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar", o personagem muda e passa a ser o rei da Pasárgada, Matiza Perrier. O prólogo é um contraponto entre os dois, embora o faça sem citar nomes. E se você não entendeu nada a respeito do que eu falei até aqui: dá uma olhada na introdução de Steel Hearts, se quiser, que tá linkada ai em cima.
Enfim, boa leitura! :)
[EDIT: Eu usei o underline para iniciar os diálogos porque o Reddit reconhece o travessão como marcador de tópico.]
Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar.
Ele sentiu a luz do sol em seu rosto, anunciando que a escuridão da noite já havia passado e que o céu era claro mais uma vez. Os seus sentidos despertaram pouco a pouco, como os de quem acorda de um coma após uma década de inatividade. Em um suspiro profundo, pôde sentir o odor de móveis velhos daquele quartinho arranjado e exíguo, mas inegavelmente organizado com maestria milimétrica em cada mínimo detalhe por ele próprio. Confirmou para si mesmo que estava, de fato, vivo.
Vagarosamente, os seus olhos também ganharam vida. Assim que o seu par de olhos se abriu pela primeira vez naquele dia, sua íris castanho-claro focou, sem se mexer um milímetro para a direita, sem se deslocar um milímetro para a esquerda, em uma tábua que estava fora do lugar no teto de madeira bege-clara de seu cubículo. Lhe incomodava demasiadamente aquela quebra abrupta no padrão de tábuas alinhadas e retilíneas. Namorou aquele lasco de madeira solto durante infinitos minutos. À essa altura, seu mecanismo interno também começou a funcionar e debutou a processar informações.
Ele planejou mil e uma formas de solucionar este problema que tanto lhe afligia, com a pia e ridícula convicção de que, quando tornasse àquele mesmo panorama quando o breu noturno caísse novamente, aquela tábua defeituosa continuaria ali, sem sequer ser tocada por um dedo que fosse. Talvez por cansaço físico e mental dele. Talvez por sua própria incapacidade de tecer um projeto suficientemente perfeito para dirimir o que lhe amorfidava. Ou, talvez, por não ser nada além de uma tábua antiga e quebrada. Até que, por fim, ele se concentrou exclusivamente no melódico canto dos pássaros que vinha do lado de fora. Dos presentes da natureza que ele recebia por morar naquele recinto, sem dúvida, a música dos pardais era o mais belo e mais agradável de todos.
Por todos os deuses e deusas do cosmo! Os pássaros! Os pardais-espanhóis!
Ele se levantou violentamente, repelindo para longe a sua coberta, o seu travesseiro e todo empecilho que estivesse em seu caminho, como se estivesse no ápice de sua energia diária, e se colocou, em questão de segundos, na frente da imensa janela de vidro que se localizava estrategicamente na dianteira de sua cama.
Esfregou os olhos. Depois os arregalou. Repetiu o processo algumas vezes.
Quem se colocava, como ele, à frente daquela majestosa janela, tinha uma visão privilegiada de uma enorme figueira que existia naquele vilarejo. Chamava a atenção, ao primeiro olhar, pelo tamanho. Não poderia ser diferente. Aquela árvore era um verdadeiro gigante. Ao mesmo tempo, era uma figueira muito velha, é verdade. Já deveria estar gozando da terceira fase de sua vida. De seus dois mil anos, no mínimo. Seus galhos já eram totalmente retorcidos. Sua raíz era grossa e invadia o solo que lhe rodeava, como um monstro botânico que tenta alcançar a superfície. Contudo, em contraponto, as suas folhas reluziam a vida. Todas elas. O pigmento verde-esmeralda destas era o mesmo de uma plantinha que acabara de desabrochar. Todo o seu caule era consistente e forte, sustentando com exuberância todos os seus inúmeros galhos. Seria uma calúnia atroz afirmar que, mesmo que de muito longe, se tratava de um mero agigantado pedaço de madeira oco e sem vida. Nos pés do caule da monumental figueira, existia uma pequena placa pregada junto à árvore, também de madeira, mas em tom muito mais claro. Nela, lia-se a frase em latim "Hic insignis femina forti ager deambulavit in terra" em letras garrafais, mas visivelmente pintadas com uma tinta branca ralé e desbotada, tornando as inscrições apagadas pelo efeito do tempo praticamente ilegíveis.
Todavia, ele não estava lá para endeusar aquela dádiva da mãe-natureza. Os seus olhos tinham outro eixo. Naquela árvore, muito além da fitologia e de toda tonalidade verde-vivo que lhe envolvia, existia uma verdadeira sociedade de pardais-espanhóis. Haviam vinte ou trinta famílias de pardais que levavam suas vidas nos galhos daquela grandiosa figueira já há anos. Todos eles, passarinhos miúdos, ariscos e ligeiros, características naturais de sua espécie, que levavam em suas penas tons que variavam de marrom-escuro até colorações mais acinzentadas.
Na árvore, se organizavam como se houvesse um contrato social entre eles. Como se os pardais fossem, de fato, seres pensantes, dotados de raciocínio lógico e com a capacidade de agruparem-se em um meio social concreto, previamente definido por regras a serem seguidas por todos. A figueira era a estalagem. Cada galho, uma residência. Não haviam duas ou mais famílias de pardais por galho. Em todos os ramalhos que se fragmentavam do caule, existia somente um ninho de pardal-espanhol, como se todos eles concordassem que aquele era o número ideal de famílias por galho. No raiar do dia, os pássaros se agitavam, aforando os ouvidos de quem quisesse ouvir com a sua graciosa música inerente. Neste átimo, o pássaro-mor de cada ninho voava pelo horizonte, em busca do sustento de sua parentela. E ao final do entardecer, retornava ao seu lar, socializando com os seus os ganhos do dia. Desta forma, aquele agrupamento de pardais engrenava. E só seria uma indiscutível violação de juramento afirmar que a subsistência dos pardais-espanhóis na figueira era, efetivamente, próspera, por efeito do vilão da estalagem. Um abutre.
De corpo robusto e de asas de envergadura majestosa, tinha dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta vezes o tamanho de qualquer pardal-espanhol. Era um autêntico ogro ao lado de um pardalzinho. E, ao contrário da prevalência dos membros de sua espécie, não era de aparência macabra. A plumagem de seu tronco era marrom-clara, como a das águias. E a sua coroa não era pelada, como a maioria dos abutres, que mais se assemelhavam a um morto-vivo do que a uma ave. Continha penas brancas como a neve em seu crânio. Também tinha em seu arsenal de combate garras afiadas como agulha de alfaiate, um bico longo e pontudo e um olhar que imporia pavor até mesmo em um Argentavis. O abutre lembrava muito mais uma ave de rapina do que um urubu. Localizava-se sempre no ponto mais alto da figueira, como a estrela de Belém em uma árvore natalina.
O abutre, sem dúvidas, era o amo daquela sociedade. O dono. O rei. Todos os pardais-espanhóis se viam fracos e indefesos diante de uma ave tão superior em tamanho e em força e se curvavam diante do abutre, ainda que mordendo a língua de desgosto. De todos os pássaros da figueira, o abutre era o único que não se aventurava no mundo além daquela lendária árvore em busca da sobrevivência diária. Muito pelo contrário: agia como um cobrador. Durante todo nascer do sol, sem feriado nem dia santo, o abutre voava de galho em galho, de residência em residência, de família de pardalzinho em família de pardalzinho, tomando para si uma parcela das sementes, grãos, cereais e pedaços de legumes que as famílias de pardal haviam faturado no dia anterior. Na maioria das vezes, era a metade. Por algumas vezes, entretanto, o abutre não fazia economias e se apoderava de mais - e muito mais - da metade dos alimentos de um ou outro ninho de pardal-espanhol, deixando estes reféns de sua própria sorte, suplicando aos deuses para que naquele dia o saldo alimentício do chefe da família fosse dobrado. Em troca desta colaboração forçada, os pardais-espanhóis não recebiam absolutamente nada. Nem proteção do abutre. Nem nada que dependa da solicitude do malévolo pássaro-rei. Não era justo. Mas "realidade" e "justiça" são palavras que raramente caminham de mãos dadas. O medo que os frágeis pardais tinham do abutre, tão corpulento, tão vasto, tão amedrontador, impedia-os de organizar uma revolta contra aquele pássaro das trevas. Era parte da rotina ceder metade dos seus lucros, sem mais nem menos, ao seu próprio carrasco.
E assim a sociedade de pássaros que vivia naquela louvável e anciã figueira funcionou durante muito tempo.
Até aquele dia.
Naquela manhã, tudo foi diferente.
O abutre deu início à arrecadação do alquilé dos pardais, como o de costume. Até que, após confiscar para si alguns pequenos grãos e sementes sem imprevistos, voejou até um galho que se localizava em um dos pontos mais altos do lado esquerdo da figueira.
Ali residia um pardal-espanhol solitário. Não tinha família. Morava sozinho em seu ninho. Era tão pequenino e franzino como os outros. Carregava em seu corpo penas marrom-claro, quase que idênticas às do abutre. Também tinha uma listra branca que corria por todo o seu corpo, o que lhe diferia dos demais. Ela tinha início na parte inferior de seu olho direito e só encontrava fim quando terminava o torso do pardal.
Naquela manhã, ele resistiu. Se apresentou à frente do abutre, que era um genuíno arranha-céu em frente ao passarinho, como quem se recusa a cumprir uma ordem e desafia o seu algoz. O abutre estufou o peito, na tentativa de intimidar o pardal-espanhol revoltoso. Em vão.
Antes que o abutre pudesse adotar qualquer segunda atitude visando espantar o seu adversário, o pardalzinho o atacou, em um movimento precípite e, acima de tudo, inesperado. O abutre foi lançado para fora do galho pela força da velocidade que o pardal imprimiu e os dois pássaros passaram a brigar no ar. No combate corpo a corpo, o pardal-espanhol compensava a ausência de força com uma agilidade que o abutre não conseguia acompanhar. O abutre se tornara incapaz de usar o seu tamanho e a sua robustez avantajada à seu favor. O inverso aconteceu: a grandeza física do abutre fazia com que ele fosse um alvo fácil de ser atingido por seu rival. A força, meio que o abutre usou para ser condecorado o pássaro-mor hegemônico daquela figueira durante tanto tempo, trazia junto de si a lentidão, o que fazia com que aquela ave, antes tão temida e respeitada por seus subordinados, não conseguisse inibir as investidas do nanico e veloz pardal-espanhol. O pardal nocauteava o abutre várias e várias vezes, mudando de uma direção para outra como uma flecha, antecipando os movimentos tardios de seu inimigo. O contrário não acontecia. Naquele instante, o abutre servia somente de saco de pancadas para o pardal.
A ameaça que a revolta daquele heróico pardal-espanhol representava à soberania do abutre serviu de gatilho para muitos outros pássaros residentes da figueira, também descontentes com a iniquidade daquela dura submissão, que deixaram os seus ninhos para também golpear e bicar o abutre simultaneamente. Em pouco tempo, mais da metade da sociedade de pardais-espanhóis estava ali, lutando por sua plena liberdade. O abutre tentava se defender do bando como podia. Se contorcia, esticando as suas garras freneticamente para todas as direções até o limite de sua flexibilidade, na tentativa de abater um ou outro pardal. Se já era árduo para ele engalfinhar-se com um pardal-espanhol só, guerrear contra um bando inteiro tornava-se insustentável. O abutre debatia-se em gemidos escandalosos de dor, na risível esperança de enxotar todos aqueles incontáveis pássaros para longe de si.
Até que, de tanto que insistiu e esperneou, o carrasco conseguiu prender um de seus êmulos em uma de suas garras - a esquerda. Aquele pardalzinho foi, instantaneamente, neutralizado. As unhas pontudas do abutre, que mais pareciam pequenos punhais, atravessaram a plumagem marrom-clara daquele pequeno pássaro sem lástima nenhuma, perfurando-o exatamente no centro da extensa listra branca que se avultava por todo o seu corpo, peculiaridade que lhe diferenciava de todos os outros pardais. Era ele. O pardal-espanhol rebelde. O motor daquela rebelião. O patrono dos pardais-espanhóis malcontentes com as injustiças cotidianas daquela estalagem. Aquele - o único! - que aceitou com prontidão o perigoso jogo de confrontar o temeroso abutre. Justamente ele, entre as dezenas de pássaros. O destino, perpetuamente muito irônico, pôs-se a rir da infeliz coincidência. O pardalzinho revolucionário era, de modo inegável, muito astuto. Mas nem que tivesse o quádruplo de sua resistência física, seria capaz de sobreviver estando entre as implacáveis garras cortantes do abutre. Ele não teve sequer a chance de lutar por sua supervivência. Os seus órgãos internos foram espremidos. A morte foi instantânea. O cadáver, sem embargo, continuou nos gatázios do abutre, como se fosse um troféu - ou prêmio de consolação - para o impiedoso pássaro-rei.
Os demais pássaros revoltosos, à exemplo de seu recém-falecido condutor, seguiram a bicar o abutre, com cada vez mais violência, como se não fossem meros passarinhos tênues e mansos. Mais pareciam, naquela rebelião, verdadeiros animais selvagens. O bando de pardais-espanhóis era uma máquina de guerra, pronta para esquartejar o seu inimigo a qualquer instante. Era questão de tempo até que o abutre tivesse o mesmo trágico fim do pardal causador de toda aquela anarquia necessária. Do pardalzinho que ele acabara de tirar a vida friamente. O destino, por sua vez, não tardou muito. O abutre já mal tinha forças para para estrebuchar, reconhecendo pouco a pouco o seu melancólico e penoso porvir. E este não podia sequer pleitear a vida por suas habituais injustiças. Todo aquele sofrimento do abutre era íntegro. Merecido. Conveniente. Depois de tanto atazanar os pardais daquela figueira, era a hora do acerto de contas.
Em um movimento descontrolado, um dos pardais-espanhóis mais exaltados em meio àquela calorosa confusão bicou o comprido pescoço do abutre ferozmente, estourando com retidão cirúrgica sua veia jugular. O golpe foi fatal. Morte instantânea. A morte, inegavelmente, é juiz. Se a vida, por muitas vezes, favorece aos maliciosos, a morte, sui generis, jamais falha. Pune a todos, sem distinguir. Um jato de sangue arroxeado jorrou da goela do abutre, manchando com aquela seiva honrosa boa parte dos pardais que estavam em torno do pássaro sucumbido quando a bicada da vitória foi desferida. A revolução dos pardais estava completa. Não havia mais carrasco. Não havia mais verdugo. Não havia mais medo, nem aluguel. Enfim, o abutre libertou o corpo sem vida do passarinho revoltoso de suas garras e, simbolicamente, todos os pardais que integravam aquela sociedade.
O monumental corpo ensanguentado do abutre e o defunto esmagado do pardal-espanhol rebelde caíram lentamente pelo ar, lado a lado. E tocaram o chão exatamente no mesmo instante, fazendo valer, mais uma vez, uma velha máxime da vida: quando o jogo acaba, todas as peças, por mais diferentes que sejam entre si, voltam para a mesma caixa, sem se queixar.
Ele assistiu tudo de camarote.
"É tão estranho. Os bons morrem antes", ele pensou consigo mesmo.
Ele, então, voltou-se para a sua cama. Deu meia-volta, despiu-se dos trapos velhos que usava para dormir e vestiu o seu traje de batalha mais nobre, que levava uma enorme capa vermelho-vinho às costas, que recaía por quase toda sua armadura de ferro medieval, a qual ele também envergou. Sentiu-se, como sempre, mais são portando aquela farda solene. Olhou por intensos segundos para o seu próprio reflexo no espelho que havia em frente à cabeceira, com um ar aristocrata de confiança. Apoderou-se, ademais, de duas espadas que estavam encostadas no pé dianteiro de sua cama. Uma banhada à prata e outra banhada à bronze, tinham a estatura, à grosso modo, moderadamente menor do que uma vassoura comum. De lâmina mais fina e de peso mais leve em comparação com as espadas universais dos templários, colocou suas duas gládias nas bainhas que também carregava em suas costas. Por fim, deixou o seu quartinho amanhado, organizado como nunca, exceto pela tábua desprendida no teto de seu cubículo - aquela amaldiçoada tábua! - fechando a porta amadeirada deste para jamais tornar a abri-la.
O vento, enfim, soprava à seu favor: era tempo de ressureição.
Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar.
De ressaca. Sentia em seu crânio pontadas de dor, que iam e vinham. O cenário ao seu redor denunciava o motivo de seu mal-estar: infinitas garrafas de vinho e de licor vazias em torno dele, além de incontáveis taças douradas, também vazias ou consumidas somente até a metade. Ele despertou em um magnificente trono real dourado, produzido tendo o ouro puro como sua matéria-prima e decorado com jóias preciosas, coloridas e resplandecentes - havia tido o seu sono ali naquela madrugada, sentado. Aquele trono dourado era o ponto mais alto daquele salão. Tanto que, era preciso subir alguns degraus para chegar até ele - não por acaso. A ideia era, de fato, representar o ápice da soberania que um mortal poderia desfrutar. O lugar mais alto que alguém poderia ocupar na pirâmide social.
Ele, com os olhos entreabertos e com os movimentos anormalmente vagarosos, aparentando ainda estar um pouco ébrio, começou a esparramar com as mãos as cartas de baralho que estavam no braço direito do trono real, deixando com que algumas caíssem ao chão. As cartas, espalhadas por todo salão real, retratavam as várias e várias jogatinas e capotes da madrugada anterior, os quais ele mesmo fomentou. Ele havia patrocinado uma farra regada à bebidas alcoólicas caras na madrugada daquele dia, junto de seus companheiros mais íntimos. Por mais uma vez. Os eventos alcoólatras apadrinhados por ele eram corriqueiros, praticamente diários.
Ele seguia espalhando as cartas do baralho, até que uma lhe chamou a atenção. Era um rei. Um rei de espadas. Não era o roupão vermelho do rei, fragmentado em mandalas, que lhe atraía. Muito menos as espadas coloridas que ele segurava em cada uma das mãos. Nem o bigode, nem o cabelo, nem a coroa. O olhar. Os olhos daquele rei eram diferentes dos demais. Eram intimidadores. Transbordavam malícia e davam um sentido maquiavélico àquela carta. De todos os reis do baralho, aquele, sem dúvidas, era o mais perspicaz. O que tinha a maior agudeza de espírito. O mais astuto, talentoso, inteligente e toda e qualquer palavra que remete a um privilegiado intelecto ardil. Ele pegou a carta em suas mãos e apreciou-a por alguns instantes, rindo. Até que, levou o rei de espadas até o braço esquerdo do trono do rei, onde havia uma taça de ouro da noite anterior, cheia de vinho até a metade. E então, mergulhou a carta no vinho, por diversas vezes, repetidamente.
_ Beba, reizinho. Beba. Que, por hora, é o melhor que se faz. O álcool foi inventado pelo homem para suprimir o tédio diário, você sabe bem. As mulheres também vão te distrair com seus corpos, se você assim quiser. Mulheres e bebidas. É por isso que a nossa passagem terrena vale a pena, não? Beber para as mulheres. Beber por causa de mulheres. Beber junto das mulheres. Afinal de contas, o mundo está de braços abertos para te servir. Os miseráveis tem a honra de dividir uma geração contigo, alguém tão genial, tão brilhante, tão divino. É dever deles a solicitude para com você, não acha? Grandes conquistas virão, reizinho. Muito maiores do que qualquer ratazana européia um dia já pôde imaginar. Mas enquanto as glórias ainda não se concretizam, beba. Somente beba. Até desaparecer-lhe o fígado.
Uma voz juvenil, neste momento, cessou o seu delírio abruptamente.
_ Meu rei! Mil perdões por interromper-lhe!
Era um jovem e raquítico soldado. Parecia nervoso por estar em presença de alguém tão importante. Tinha como suas vestes o uniforme-modelo dos cavaleiros da Ordem do Templo, utilizado nas cruzadas do século anterior. Todavia, distinguia-se destes pela tonalidade azul-marinho substituindo a vermelho-sangue e por conter um brasão com a letra "P" no lado esquerdo do peito de sua armadura.
_ Já interrompeu, ora! Por que me solicita o perdão, asno?
_ Então perdoa-me por lhe solicitar o perdão, meu rei, se isto ameniza o meu deslize. Vim somente lhe transmitir um recado da rainha. Ela me pediu para vir lembrar-lhe que está quase na hora de discursar para o povo. A rainha e os membros da elite já estão na sacada do castelo. Sua louvável presença é a única que falta para o início do discurso real.
_ Ah! Claro! Já havia me esquecido. A ressaca me veio mais forte do que o habitual nesta manhã. E se não estivesse tão em cima do horário, queria embriagar-me antes do enunciado. Você já imaginou? Tente imaginar, se o seu retardado intelecto não te impedir. Discursar completamente bêbado! O povo, sem dúvidas, acharia fantástico! O que achas, capacho? Dê-me sua opinião, por mais desprezível que seja.
Enquanto falava, ele levantou-se e desceu os degraus do trono real com dificuldade, cambaleando.
_ É... Seria memoroso! Com toda a certeza!
_ És um bom rapaz, soldadinho. Você é dos meus, eu tinha a pia convicção! Inclusive, acho que a sua figura é a que falta para completar nossas diversões alcoólicas que ocorrem depois do último badalar do sino. O que me diz, meu companheiro? Licor e vinho à vontade depois do horário dos mortos! Está de acordo?
_ Verdadeiramente, meu rei?
O soldado recém-formado olhou para ele com o olhar mais inocente que se pode imaginar.
_ É claro que não, capacho! Onde já se viu? Uma barata do exército imperial feito você em meio aos mais finos nobres! Tira-te as patas do meu salão real, imbecil!
O soldado saiu imediatamente da sala privada do rei, trêmulo. Ele, em todo o tempo com um largo sorriso no rosto, gargalhou de suas próprias anedotas. Ainda assim, a informação que o seu subordinado lhe transmitiu estava correta. Faltavam poucos minutos para o discurso semanal do rei para os seus populares. Era mais um domingo gelado de inverno. Ele seguiu pelos cômodos e corredores do Castelo de Woodyard. Conforme caminhava, escutava um coro uníssono, em êxtase, que se tornava mais forte conforme ele se aproximava da sacada do castelo.
_ Vida longa ao rei! Vida longa ao rei! Vida longa ao rei!
Ele, enfim, chegou até a sacada. O povo ali presente, em frente ao castelo, engrossou ainda mais o hino quando o viu. Com os braços abertos, de aparência amigável e singela, ela acenou para o povo que estava abaixo, como sempre. A rainha, idem, estava ali, sempre à sua direita, ora envolvida pelos braços dele, ora também saudando o público.
_ Bebi o dobro do que você bebeu nesta madrugada, meu amor. E despertei três horas antes de ti. Cômico, não acha?
_ A força feminina! É o que nos mantém no poder!
Sua esposa era uma mulher de quase trinta anos de idade. Os efeitos do tempo, entretanto, inegavelmente eram muito gentis com ela. Aparentava ser dez anos mais jovem. A rainha chamava a atenção, sem sombra de dúvidas, pela beleza física: mulher de corpo esbelto, e de rosto tão atraente quanto.
Ele, enfim, deu início ao pronunciamento real. De cunho populista e com muita convicção em toda frase que proferia, ele exaltou a laicidade de sua monarquia. Alegou que não admitiria, nem por cima do seu cadáver, que a coroa compartilhasse o governo com o Papa. Como o de costume, apontou o dedo para a Igreja Católica, condenando-a pelo massacre estúpido daqueles que ela julgava como infiéis. Posteriormente, reiterou o seu compromisso com as camadas mais baixas da sociedade. Se auto-intitulou como o pai dos pobres. Alegou que reduziria o preço do trigo pela metade. E ganhou ainda mais a simpatia de seus ouvintes quando comunicou que distribuiria pães de forma gratuita em alguns pontos dos vilarejos de seu reino, garantindo o direito básico da alimentação para todos e todas. Penhorou, também, que os soldados, tanto os da elite quanto os do império, seriam valorizados e teriam a sua dignidade garantida. Afinal, segundo ele, na sua visão de governabilidade não existiam reis e capachos. Existiam seres humanos buscando um bem comum. E, finalmente, levantou a sua principal bandeira: garantiu que, enquanto ele tivesse a coroa sobre a sua cabeça, homens e mulheres seriam iguais. Os mesmos direitos. As mesmas funções. Os mesmos papéis na sociedade. Exaltou com as mais fascinantes palavras o arquétipo da mulher independente e empoderada. Discorsou primorosamente durante quase trinta minutos sobre a suma importância da equidade dos sexos em um meio social evoluído.
O povo foi ao delírio, como já era costumeiro no pós-dicurso do rei. O barulho era ensurdecedor. Toda gente gritava o seu nome à todo pulmão, confiando cegamente na benevolência de seu líder. Ele era uma unanimidade entre o povo. Não havia uma alma viva que abrisse a boca para reclamar de sua forma de reinar. De suas ideologias modernas. Era um verdadeiro rei hegemônico. O mais perto que se havia de Deus em solo terreno. Ele, por sua vez, sequer lembrava do que havia dito em seu discurso alguns minutos antes. Sua cabeça estava em outro lugar. Nas nuvens. Só conseguia pensar nas fartas moedas da corrupção caindo sobre suas mãos - que financiavam esbórnias, orgias, bebedeiras e afins suas, da rainha e de seus aliados mais próximos - e no futuro promissor de seu império populista, que em um dia não tão distante haveria de se expandir para os quatro cantos da Europa, em um reinado jamais visto antes na história da humanidade.
Assim que terminou o seu enunciado ao público, em meio aos berros que manifestavam apoio ao seu reinado, ele arregaçou a sua manga esquerda, revelando o mesmo o rei de espadas de outrora, a mesma carta que ele havia embebido no vinho. Ele havia a escondido em seu uniforme imperial quando saiu do salão real.
_ Vês isso, reizinho? Isso não é nada. É um grão de areia perto do império gigantesco que Júpiter te reserva. Terá o mundo aos seus pés, é inevitável. A ordem cósmica quis assim. As próximas maltas vão aprender sobre o seu nome. Sobre tudo que te envolve. E até sobre o seu sabor de licor preferido. E você? Você só deve saber o seu próprio nome. É o que mais importa. Reizinho, é assim que gira o ciclo da vida: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E eles tem. Você vê cada vez mais de perto que tem. O universo deve respeito por aquele que já nasceu abençoado. E ninguém vai ser capaz de te impedir, reizinho. Ninguém. Nem mesmo Deus.
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2018.10.05 02:41 DrkSrk -Poesias- (Livro : Ouro Acrético/Minha autoria)

Oceano
Lago límpido
Hábito pouco apreciativo
Ouvinte aceito,criança plena
Sagrada janela de sonhos tema.

Estruturação de uma mente de poucas memórias
Sendo as tais nada além de bons sonhos
Talvez pesadelos numa cortina de fumo e fogo
Razoávelmente sem emoção alguma
Um Diático Ascítrico Sintético Indigno
Também uma vingança de pouco objetivo
Um Cinético energético caótico Místico
Reação violenta ao que persigo
A Moeda tem dois lados mas as Fatias de uma maçã
Contém ainda mais faces desconhecidas num turbilhão
Avermelhado de variáveis e sintetização
O Magnum Opus de um grande Ser Sensação.
De Poucos Fazem-se muitos
E notas não lhes são necessárias
Uma Oração,um sacrilégio silenciado pelas bocas do vento
Maleficência e eficiência em olhos que não enxergam
Ao meu Ouvir,Pois o ver não me é permitido.
Mente,pois,de suas inebriantes propostas
E Sua língua está pregada a suas próprias palavras
Num Fruto De razões Sobrepostas
Término De um domínio de Pregações Severas
E serpenteante Venenosa Obrigação As Tuas Costas.
De quem é a culpa daqueles que não podem ouvir lamentos?
E Talvez não escutam murmúrios lançados a brasa ardente.
Paraíso Perdido de pouca ternura e Banalização
Ouvir Inconsequente,Chorar Sem Olhos,Comer Sem Boca
Um Tato Sem Mãos,Ou O Paladar Sem língua
Conteúdos de um apologético Mistério
A qual se convém a Poucos e jamais aos que testificam
Sapientes subservientes sementes No Plano Cemitério
Mande as mãos que escrevem a fornalha
Então Devorem as cinzas de sua própria falha
Mortificando-se ao justificar erros cometidos por mãos e
O Homem imperfeito nada presente
Retas numa folha de papel sem cantos
Insuperável erradicação fatalista e cataclísmica do
Absurdo fantástico ao que venera-lhe a Mente
Senão o coração A Que Pouco Bate em uma existência Crítica.

P e r o l a s A o s V e n t o s
S e F a z e m S e n t i r
E m o ç õ e s E M o m e n t o s
P a r a R e f l e t i r

Mente perturbada de poucas memórias
Então conturbada com poucas histórias
Nada compara com poucas vitórias
Também maltratada com lágrimas inglórias
E mesmo assim,mente como mente.
Para tudo e para todos deixou de existir
E seu passo frenético de nada se fez
Rotações aceleradas de olhos cínicos
Tomadas por algo apercebível,clínico
Uma manhã,um sonho de enfim se foi
Rota mística de lugar algum
Balões vermelhos que não fazem sorrir
Acrítico,acrílico,acético,Acscendente
Dominós caindo num sonho inconsequente
A fim de que possas enfim,fechar os olhos e.... dormir.

Homem De Poucas Palavras, a um pertenço e Sozinho estou.
Heliocêntricamente Abdicado de meu brilho
Livre Das Amarras Eletrônicas do Martírio
Ambivalente Ator.
E como Metálico,Me comporto em padrões Conhecidos
Agitado Por Imãs Que me põem em linha.
Como Um gênio,Crio Halos Em Meus Tecidos.
Mas Posso Ser Ametal,E não Obedecer as ordens que Continha.
Por Linhas vejo passar um período de tempo
E cada Grupo De Ossos de minha coluna é Alinhado a disposição
Numerado Em Memórias que me trazem a tona,lhes contemplo
Ao que Atomicamente Me Destilei Da raiva E retomei uma nova posição
Sinteticamente colaborado,feito sob medida,incontável
De Muitos Elementos,Balanceado
Ao que Minha valência significa Primeiro,estável
E De vários átomos Posso Me Fazer em liga atado.
Do Raio Que Convêm da tempestade,me Faço Atomico
E Meu Ser,De Alcalino,Se convêm nobre.
Ionificado,Posso Me Tornar Comico
Ser Denso Como ouro,chumbo,ou até mesmo conduzir como Cobre.

Saboreie o retorno a tua ruína
Angustiante procrastinação que o adocica
Nexo ao que prescrito és
Gravado em tenras rochas o faz eterno
Um retorno a alucinação coletiva
E do eterno o material se evidencia.
Numerosas falhas estritas em seu corpo
Escritas na margem do desgosto
Gema dilapidada e escura como a matriz de um segredo
Rota de erros,esculpida de temor e de abominação
O erro do homem se marginaliza numa escada de sangue negro.

As sete horas,o fogo queimou a todos
Mas as chamas saíram de suas bocas
Navios afundaram no álcool em palavras roucas
E o espírito incandescente avaliou-se de fogo
Silencio ecoou pelas florestas pelas bocas queimadas daqueles
Impios,peões de si mesmos ao que afagava-se a balbúrdia
Ao que caíram suas múltiplas cabeças com a espada da angústia
Com o horror que inflamava apartir deles
Olhos sangrando
Gosto rústico de aço e arame
Nomes supondo
Os olhos rutilantes
Sacrilégio ao gosto de rum e aspartame
Tempo que jamais andou durante a passagem
Incendiados por si mesmos,mortos por si mesmos a sua viagem
Conscientes de sua falha,com o arame a volta de seus pescoços
Ao tempo o tempo anda,ao que vivenciam,compostos.

O tempo onde as folhas caem ao chão
Um momento,assopradas pelo vento da unificação
Tanto eu como o destino sabemos desta data
O dia mais importante de minha jornada
No papel está escrito que devo ser como as folhas
Oceano desesperado,de múltiplas escolhas

Achado como aquele que insiste
Homem de miseria num algo que não existe
Lago de minha memoria que persiste
Incomensuravel falha a que caíste

oxɘlʇɘЯ oxɘn mɘƧ oxɘnoɔƨiᗡ oxɘvnoƆ

"Eu sou como fumaça,e passo pelos vãos de teus dedos.
intragável,escapo pelos furos dos potes onde tu me prendes...
improvável,que me catives ao que deixas aberturas por onde eu possa
passar... mas mesmo assim,mutualmente.....
neste enorme jogo de gato e rato ao que tentas me obter,ao que escapo de tuas mãos... somos um e partilhamos da mesma vontade.....
de ter um ao outro,juntos em uma eternidade."

-Réquiem Para o Meticuloso Capitão-
O capitão navega pelos lençóis de água,Desafiando a maré
Tentando buscar e saber ou entender o que é e porque é
O horizonte é equiparável ao pontilhar de sua bússola
Triunfante e exato num oceano de emoção lúcida
O Engatilhar das âncoras, anuncia o destino então alcançado
Torrencialidade em tempestades secas de areia de todo o lado
O Sol então o cumprimenta com severidade em seu calor
Tua alucinação no deserto mostrará quem deve ser a teu valor
O Deserto o chicoteia com ondas de calor escaldante
Tão somente calor enverga aos olhos o pontilhado do horizonte
O seu barco não existe,castigado pelas areias do tempo
Tampouco ao chapéu e âncoras,rasgadas da ilusão pelo vento

O sonhador em sua partida,lembrou-se dos
Segredos que foram enterrados nas nuvens
Orientação que fora feita com líquens
Natureza sólida ao seu redor
Há de haver algo maior e melhor?
Ao que o mundo é belo a tudo o que vê
Do que contêm-se nas gotas de chuva a previsão,prevê
O tempo que sempre andou e sempre irá andar
Regras para um ardor que jamais cessará

Querubins adornam tuas vestes de maneira impronunciável
Uma alva vestimenta perfeita,sob medida volúvel,palpável
E em caminhar-te ao local destinado,as pedras se movem
Ruas se tornam retas e aos velhos se entoa que são jovens
Um ser cujo destino é agradar aos outros,e jamais a si
Bom grado é o que lhe move e gratificação não busca em ti
Inapto ao grande banquete,do lado de fora remanesce
Mas não importa,pois a tudo tem,ao que convêm a ter vem e tem ao que merece

Câncer de suas indústrias que não cessam
Ao tomar vantagem da produção que almejam
Não se importando com o quanto matam
Cerrando os olhos a indiferença que exalam
E ao vapor do trem,as batidas dos carros
Reacendem as brasas dos malditos cigarros
Indicando descaso com a própria vida
Ganhando as custas de gente sofrida
E com muito desgosto
Na palidez do rosto
O que mata não é pessoas,mas o que elas criam,composto

Entretenho-lhe com entrelinhas da alma
Sobriamente apagadas,repulso a calma
Pelos dedos me esvai a vida
E pela mão me esvai a caneta tingida
Louca,vermelha de sangue ao escrever
Horas e palavras sem sentido ao alvorecer
O ponto do fim já vem depressa.
Do tempo me reserva pouco
O vazio do coração me agracia,oco
Psiquê mexida como as notícias que abalam sua vida
Linha retorcida ao que me espera somente o repouso
Alva e com foice afiada e polida
No pescoço pousa e corta a mim,tem bom uso
O tempo não preza,de levar ao que tudo de novo começa.

Obrigações de ouvir sonhos
Barras de ferro não fecham prisão
Riachos não escorrem por canos de diferentes tamanhos
Indiferença ao ouvir minha atenuante razão
Graças a ele podemos ser
Ao ouvir as gotas de orvalho caírem ao relevo
Coração batendo para que haja o florescer
Ao amor que jamais se esvairá com que escrevo
Obrigação é ser,lutar por,viver e assim então,renascer.

Desejo cegar meus olhos para jamais ver
Ensurdecer meus ouvidos para não ouvir
Saciar minha sede de saber palavras de auto preservação
E assim sustentar
Jogos de dualidade ao que a raiva toma a noite
O dia sendo coberto pela macia seda do tecelão.

Rosas sombrias de beleza inigualável
O sonho ambíguo e inseparável
Sensação única e inexorável
Ao manto de pétalas inexplorável
Sagrados gracejos e som inaudível
No lago de seus olhos pesquei
E fisguei a mais bela das rosas de verão
Ganância tê-la só para mim então
Rasurando minha mente com sonhos que nunca serão
A rosa negra que plantou em meu coração
Será lembrança das coisas que virão.

Azul royal brilho salgado
Zumbido angustiado com o gosto de sal
Um mar ríspido de orgulho e mágoa
Languidos a carcaça esmirrada da falha
Royal,imperador absoluto
Oceano impoluto de escolha e resoluto
Yahtzee cruzado,pouco se sabe ao que lhe atravessava
Ao que o mundo que ninguém contava
Labaredas escondidas a sua boca ao que nada falava.
Maestria na obra - supra sumo
Indignado ao conteúdo que consumo
Sonho que teço em minha teia e resumo
Trabalho ao que pouco anseava o amo
Indico com minhas flechas não o cupido mas o sonhador
Com passos lentos presumo e anseio pelo que vem ser,horror
O mundo de caos e linho ao que as flechas apontam a mirar o marcador
Soberano tecido do céu
O véu que cobre o seu rosto intocável
Berílio pó,chumbo corante
E da noite se faz as cinzas cortantes
Retas que não são se tornam,surreal implacável
Amarelo ouro que entorna,e cessa ao que transforma
No mundo,o ideal
O sonho cranial.
Ao que tecem as aranhas
O que encanta as entranhas
Que os ossos não tornem a voltar ao pó de que surgiram
Uma ambientação que não volte a ser principiada no que resumira
E que se tornara e vira.
Os olhos de conhaque brilharam fraco
Imperador e imperatriz,
Mestre e matriz
Príncipe e princesa,rivais por um triz
E os sonhos mirrados são concertados
Retas e linhas são de volta traçados
Ao que nada e tudo se tornam em um
Da dor que tudo sabe se torna sábio de nenhum
Orador da dor
Realidade impossibilitada de existir no ardor
Dera a mim a mão sombria
E a minha face tornara breve o tecido sonhador,e do tecelão que ainda iria
Realizar sua obra,o magnum opus que se tornaria
A realidade que iria vir,e que seria
Adorada e imprescindível
Ordem nesta casa de injustos
Roedores de pés justos
Dentes rasurados ao que malabares robustos
Emaranhados rútilos
Muitas regras ao que o azul royal dera aos seres sustos

Escrevo por poesia pois é minha maneira única
Semblante não o tenho e contemplo do templo a túnica
Corro de vozes e gemidos em onda sônica
Roo minhas unhas em vertigem crônica
E minhas palavras tornam se verso e música,sinfônica
Variações de uma ambientação disposta a ser,harmônica
Ouço a voz retocar me os ouvidos com audição clínica.

Diga-me o que não sei
Da dúvida se faz rei
Dormente nas mãos alguém
De cãibra se faz ser ok.

As engrenagens tem só uma função
Bater e funcionar como um coração
Cordas e válvulas em acordo entrarão
De certo compondo e terminando,sua nobre função.

Eu falo mais por aqui
Uma convivência sozinha e impróspera é tudo o que tenho.
Falo por mim
Ao que meus hobbies não me ajudam a afastar a solidão
Lá do fundo da psiquê a pioram
O que resta de mim então
Mas o que tenho além de suspiros
Ao que meus braços sequer me obedecem
Indo a ser aplacados por um ser invisível
Só me consome por dentro ao que não me apetece
Por
Outros já dei a voz
Roer o céu de estrelas dentro de uma casca de noz
Aqui é meu descanso e destino
Que ficará aqui comigo para sempre,vespertino
Um emblema do sonho quebrado
Ignóbil e mirrado,atado ao desprezado

Procure as você mesmo
Resuma a busca você mesmo
Oculte-se de si mesmo
Cure a ti mesmo
Una se ao mesmo
Resuma a procura pelo mesmo
E encontrará o motivo de ser o mesmo

Ele coordena a vida por parte
Languidamente admira seus livros e arte
E observa os reinos em seu estandarte.

No que deveria sentir me grato. ao que entende que
Algo morrera,preso a máquina
O que se tornara um andarilho de múltiplas facetas
Que sonhos almeja em sua vitrine
Um doce sossego
E um poeril sóbriamente juvenil?
Realizo a mim a escolha que fiz ao sustentar assim o ego
Ver o mundo como eu vejo não é fácil
Eu é que me ato a natureza a que respiro
Ruidosa mente de pouco cria muito.
Olho para ti e lembro deles.
Porém.... o que é?
O o segredo extasiante me põe a prova
Roo as unhas do saber em apreensão
Do que se faz?
O que busca?
Segredos e respostas talvez muito óbvios
Ouvi a sua história
Lhe agradaria ouvir a minha?

Eu me pergunto
Um dia poderão desejos serem realizados?
Tamanha crença nos leva a lugares nunca antes vistos
Ao que muralhas não nos separam dos sonhos.
Lindo ao que o impossível é derrubado e se troca pelo
Verdadeiro.
Eu sei o que busco e espero que um dia...
Zeros tornem se algo novamente e eu possa sonhar como você.

Muitas letras possuo,muita história guardo
Em minhas inúmeras andanças
Morros subi,estradas percorri
Ouvi histórias e as guardei na lembrança
Rios atravessei com meu maquinário
Impios derrotei com meus diálogos
A mim se percorre o dom
Sábio de guardar a memória dos seres em claro e bom tom.

Andava em zona de guerra.
Não havia ninguém nela senão soldados.
Andava com flores.
E eles com armas.
De tanta luta e sangue,o mundo tornou-se sem graça ou vida
E agora,ando com armas em meio as flores
Do contrário não viveria para ver o pôr do sol.

Alguma Vez já lhe disseram que até o futuro tem fim?
Na beira do espaço eu aviso estrelas de sua direção.
Atualmente há mais poeira do que estrelas. talvez assim
Linguagem louca,pare de entoar esta canção
Indico aos fogos e faço fatos
Tato se torna inexplicável num mundo exato
Imito e limito ao prático
Cacos de céu plástico
O Minério Eu desfaço com olhar analítico

Lenda brilhante inalcançável
Um sonhador preso a seu próprio amor a terra.
Ao que busca girar,se equiparar ao astro rei amável

Na escuridão do tecido,o berço de prata não mente ou erra
O turbilhão de estrelas ao sonho escurecido não é afável
Voam,cintilantes,ao destino final,sem paz ou guerra
A torno da majestade dos céus,de brilho emulável.

A natureza dos sábios a trouxe a mim em busca de resposta.

Não sabia o porque queria saber.
As linhas de seu martírio,sobrepostas
Também escondiam feridas incuráveis do viver.
Uma vez,um sábio me disse
Razão nenhuma encontrará nas coisas do ser
E somente ao sentir o universo como sentisse
Zumbidos de fundo,encontraria assim o que procura obter
A não ser que seja para ganho próprio

Da água não vem óleo,transformação não vem só por querer
O sonho do homem não se convêm a si,sóbrio
Somente sendo livre das amarras de si poderá então crer.

Somente abrindo os seus olhos e aspirando o que pode alcançar
A vida então poderá lhe ser tragável
Boa sabedoria que se possa realizar
Indagando por acontecimentos causados por gente afável
O sonho não morre,sendo sustentado pela coluna da vida a laçar
Somente assim o sábio encontrará o fim de sua jornada proposta.

Liso como o papel do qual compõe-se a obra
Escamoso como a pele de uma venenosa cobra
Se tiro do resto nada sobra
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